Nota: este post foi feito no dia 15 de dezembro de 2008 no Psychosocial Culture, um blog antigo que estou apagando devido ao tempo de inatividade da página. Gostei do resultado do texto, por isso deixarei o post salvo no arquivo daqui. Para quem for ler, divirta-se.
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A equipe do Psychosocial Culture falou por e-mail com Leandro Ayuso, vocalista e guitarrista do Monaural. Entre os assuntos da conversa estão a recente mudança na formação da banda, a realização de ter a arte desenhada pelo ídolo Marcatti, o novo disco e planos para o futuro.
Como você rotula o som da banda? Seria certo rotulá-los como rock sujo e visceral?Rock sujo e Visceral é um dos nossos slogans e certamente pode
servir como um rótulo, se é que devemos rotular alguma coisa.
Quais artistas influenciam a música de vocês?De Kurt Cobain à Augusto dos Anjos. De Josh Homme à Bukowsky. Tudo que contém alma, seja ela embriagada ou contaminada pelo ódio. Todo artista que exala sentimento, seja ele pessimista, autodestrutivo ou apenas decadente. Quase todas bandas que nasceram na década de 90 com exeções a Led Zeppelin, Black Sabbath e Beatles.
O Monaural recentemente mudou de formação. O ex-baixista Gualter deu lugar a Guilherme Maia. Como isso influenciou o som da banda?Acho que era algo que deveria acontecer, hoje todos nós nos sentimos mais à vontade e o astral da banda mudou para melhor. O Guilherme trouxe para banda um espirito rockeiro que estava faltando e, musicalmente falando, o Monaural hoje está completo!
Como foi trabalhar com Clayton Martin e Davi Rodriguez?Foi super prazeroso! É sempre legal trabalhar com pessoas que você já tem uma certa afinidade. Davi e Clayton são duas figuras geniais, pois sacam muito de som e são super criativos. Isso facilitou muito nosso trabalho juntos.
Quem teve a idéia de chamar Marcatti para desenhar a capa? Como foi ter a capa do disco desenhada por ele?A idéia de ter uma capa desenhada por Marcatti surgiu bem antes do Monaural existir, quando eu tinha aproximadamente meus 14 anos de idade. Foi quando tive o primeiro contato com o trabalho do Marcatti, pouco tempo depois de iniciar meus primeiros acordes com a minha
primeira banda. Essa idéia permaneceu e quando tive a oportunidade certa, fui até ele
e fiz o convite. Eu sempre fui fã do trabalho de Marcatti e sempre sonhei com
a hipotese de ter uma capa da minha banda desenhada por ele. Hoje me sinto muito
orgulhoso e agradecido por ele ter aceito o convite, e por isso Expurgo não é para mim somente um disco: é mais que uma realização.
Como você definiria o Expurgo?Um bom disco de rock, barulhento, bem gravado, denso, pesado e sincero. Se for ouvido com devida atenção poderá surpreender.
Comente o disco.Não tenho muito a comentar sobre o disco, prefiro que as pessoas ouçam com atenção e deixem o som falar mais alto. Que seus preconceitos sobre rock cantados em portugues possam ser superados pela sonoridade e a mensagem contida em Expurgo. Basta ouvir e absorver o arte do Caos que ele exala.
O que influenciou na decisão de lançar o Expurgo independentemente?A burocracia e a falta de interesse dos selos em nosso material. Se não querem prensar, azar deles! A gente prensa, nunca fomos dependentes de ninguém a não ser de nós mesmos e de nossas vontades. Sabemos a importância e o potencial do trabalho que temos em nossas mãos. O importante é não estagnar, e sim passar pra frente a mensagem.
Você acha que a cena independente está boa? O que tem de bom e ruim nela?Não está ruim, mas acho que existe muita informação para ser filtrada e absorvida. Infelizmente a alienação ainda existe em grande escala. O contato superficial com o rock é o que me chateia. Às vezes vejo a molecada mais preocupada com seus cortes de cabelo e sua maquiagem do que com a mensagem e o som que seus artistas "prediletos" fazem.
Quais são os planos para o futuro do Monaural?Incomodar os puritanos! Invadir a mídia corporativista e mostrar que o rock underground ainda produz boas bandas e pode ser encontrado, basta procurar. Gravar novos discos, tocar bastante e quem sabe um video clipe?